Resumo do Projeto


Este projeto consiste no desenvolvimento de um sistema de Energy Harvesting para alimentar uma boia oceanográfica, com o objetivo de aumentar o tempo de operação sem intervenções. Este sistema foi desenvolvido utilizando tecnologias já existentes, sendo que não haverá desenvolvimento das partes mecânicas existentes na boia. A fronteira do sistema será o ponto entre a alimentação das cargas e as cargas em si, uma vez que estas não fazem parte do sistema de Energy Harvesting, apesar de estarem diretamente relacionadas com o sistema.
O sistema de Energy Harvesting é constituído por seis subsistemas interligados entre si segundo o seguinte gráfico:



  •  O bloco de Geração é onde se encontram os componentes encarregues de obter energia dos recursos existentes no local de implementação da boia, nomeadamente fontes renováveis.
  •  O bloco de Controlo é responsável pelo controlo do funcionamento do sistema, nomeadamente a capacidade de controlar os períodos de carga da bateria, gestão da alimentação das cargas, controlo de tensão no sistema e realizar a monitorização em todo o sistema.
  • O bloco de Armazenamento é onde se armazena a energia obtida pela geração, para alimentar a bóia quando não existirem recursos disponíveis para produção de energia.
  • bloco de Conversão é o encarregue de fazer a conversão de energia entre a geração e o armazenamento, e gerar as diversas tensões especificadas para os componentes internos e externos ao sistema. 
  • O bloco de Interface envolve toda a interação dos utilizadores com o sistema.
  • O bloco de Cablagem é o bloco responsável por todas as ligações entre os vários sistemas.
O System Breakdown Structure completo deste sistema é o seguinte:


Para se dimensionar os sistemas de geração e armazenamento é necessário conhecer as cargas a alimentar, embora não façam parte do sistema. Assim sendo tem-se as seguintes cargas:


A potência a alimentar é de 14 W, sendo a tensão mais alta de 36 V e a corrente mais elevada para alimentar de 600 mA.

        GERAÇÃO

O bloco de Geração é um sistema híbrido eólico/fotovoltaico constituído por:
  • 4 Módulos fotovoltaicos cuja potência nominal é de 220 W;
  • 1 Aerogerador de 72 W de potência nominal para um vento incidente de 7 m/s;
A conjugação destas duas tecnologias permite um carregamento das baterias num período de 15 horas a um nível de tensão de 24 V DC. A ligação entre a produção e a bateria é feita com recurso a um regulador de carga. No entanto a alimentação das cargas é feita noutro nível de tensão, pelo que há necessidade da existência de vários inversores DC/DC. 

       Painéis


A disposição dos painéis fotovoltaicos é aquela que se encontra na figura. O painel escolhido foi PW500, que utiliza células policristalinas PHOTOWATT. O encapsulamento é em EVA (vinil de acetato etileno) resistente aos raios ultravioletas, que cobre as células fotovoltaicas dentro dos laminados protegendo-as da corrosão.
Cada módulo tem 55 W de potência de pico e 12 V de tensão de referência, e os 4 módulos são ligados como duas strings em paralelo, cada uma com dois módulos em série, para que a tensão seja de 24 V.
As dimensões de cada módulo são:


        Aerogerador

O aerogerador foi escolhido para se adequar a funcionar entre 5 e 20 nós. Sabe-se que no local onde se pretende instalar a boia a velocidade do vento ronda os 7 m/s (aproximadamente 13,6 nós), logo o aerogerador escolhido foi o AERO6EN, modelo LVM624.
Este aerogerador tem 24 V DC à saída e uma corrente de 5 A para as condições especificadas de vento. Assim sendo tem-se uma potência nominal de 120 W, após a retificação e regulação da tensão CC para a tensão nominal 24 V.
As dimensões do aerogerador escolhido são:


        Regulador de Carga

O regulador de carga tem por missão tornar possível a integração de diferentes formas de produção, para que quando existir excesso de corrente no sistema de produção, ele limite essa corrente através de resistências para que a bateria não entre em sobrecarga.
Os reguladores utilizados foram os LVM SB, com tecnologia PWM para fazerem o carregamento das baterias e têm um consumo de 10 a 15 mA.


A ligação do regulador às baterias, ao aerogerador e aos painéis é feita da seguinte forma:


        ARMAZENAMENTO

O armazenamento é constituído por duas baterias 12V SOLAR BLOC que se pode ver na figura:



O tempo de carga das baterias pode variar consoante as condições climatéricas e pode-se verificar esses valores na tabela seguinte:


O estado das baterias nunca será inferior a 60% da sua capacidade total, para manter o bom estado das baterias. Caso não se verifique a existência de sol nem vento, a alimentação das cargas será feita apenas com recurso às baterias. Sabendo que a corrente necessária para alimentar todas as cargas ao mesmo tempo é de 1 A temos:




Esta tabela demonstra o tempo de descarga das baterias para o caso em que esteja com carga mínima e máxima. A questão da intermitência de recursos é real e acarreta problemas, daí a necessidade das baterias para assegurar o funcionamento contínuo por 3 dias e meio sem necessidade de recarregar as baterias.

        CONTROLO


O controlo é feito com recurso a um microcontrolador Microchip dsPIC30F4013 com capacidade para controlar todos os intervenientes do sistema, incluindo a gestão da informação recolhida para a armazenar.

A informação é recolhida pelos sensores e pelo medidor de carga, através de um interface SPI (Serial Peripheric Interface) para conexão com a memória e com os medidores de carga e de conversores de sinais analógicos para digitais para os diversos sensores.

Devido à necessidade de guardar uma grande quantidade de dados e garantir a sua manutenção em casa de falta de energia, utilizou-se uma memória EEPROM 25LC1024 (Electrically Erasable Programmable Read-Only Memory). A memória escolhida tem as seguintes características:

A medição de potência ativa produzida nas unidades de geração é feita pelo MCP3909 da Microchip, uma vez que consegue realizar comunicações através de SPI com o microcontrolador. Serão utilizados 3 MCP3909 para retirar valores dos painéis, aerogerador e das baterias.


        INTERFACE

O interface surge com a necessidade de haver uma plataforma a bordo da boia que permita ao operador comunicar com o sistema. Para isso, adicionou-se uma comunicação entre o microcontrolador e um PC que serve para o utilizador recolher as informações obtidas pelas cargas e dados relativos à geração de energia. Utiliza-se a comunicação RS-232 através de um cabo, sendo necessário um conversor (max232) de RS-232 para TTL, uma vez que o microcontrolador apenas consegue receber sinais TTL.


O conversor max232 utilizado tem a seguinte estrutura:

       CONVERSÃO


Neste sistema utilizam-se vários níveis de tensão nas cargas e sistemas de controlo e interface mas à saída das baterias a tensão é de 24 V, portanto torna-se necessário utilizar reguladores step-down para baixar a tensão ou reguladores boost quando se pretende elevar a tensão. Os reguladores utilizados variam consoante a necessidade de cada sistema e foram os seguintes:


       CONCLUSÃO


A relação entre os diferentes componentes no sistema pode ser descrita no seguinte esquema:


(Atualizado em: 25-06-2012)
              15